"A Sbórnia Kontr’Atracka": elenco desbrava a Ilha do Presídio para divulgar nova temporada

Apesar das nuvens escuras indicarem um mau tempo para a navegação, o capitão daquela expedição estava otimista.

– Nunca havia visto tantas evidências, mas aqui, neste ponto, a Sbórnia está navegando nas águas do Guaíba. Vamos lá! – animou-se Kraunus Sang (Hique Gomez), enquanto observava um mapa com Nabiha (Simone Rasslan) e o Professor Kanflutz (Cláudio Levitan).

Na manhã da última segunda-feira (21), o catamarã Bela Catarina partiu da Usina do Gasômetro em direção à Ilha do Presídio, que, conforme Kraunus, seria um pedaço da flutuante Sbórnia. Quem sabe o Maestro Pletskaya (Nico Nicolaiewsky, morto em 2014) não estaria por lá? Afinal, ele voltou à sua terra para conter uma invasão. Além do trio, a tripulação era formada pela Jungst Kohral Sbørniani (Coro Jovem da Ospa) e seus familiares.

Tratava-se de uma ação idealizada por Hique para divulgar à imprensa a nova temporada de A Sbørnia Kontr’Atracka – O Sonho Não Acabou, Só Mudou de Lugar!, que será apresentada no Teatro do Bourbon Country de quinta a domingo. Ao mesmo tempo, o artista aproveita para chamar atenção para a ilha.

Combinando música e teatro, o espetáculo dá continuidade ao aclamado Tangos & Tragédias. Sem Nico, a pianista Simone Rasslan juntou-se a Hique na nova montagem. Uma das novidades desta temporada é a participação do Coro Jovem da Ospa, composto por 50 crianças e adolescentes. Entre as coralistas presentes, estava Isabel dos Santos, de oito anos. Era a sua primeira experiência na formação:

– Me sinto em um filme!

Ela estava acompanhada da irmã mais velha, Helena, 11 anos. O que as jovens esperavam da Sbórnia?

– Um país que tem... Não sei – hesitou Helena.

– Eu imagino que falem alemão por lá – arriscou Isabel.

Entregue à experiência lúdica da expedição, Hique interpretou Kraunus durante todo o trajeto da ida. Chegou a trazer um bandeirão da Sbórnia para, quem sabe, fincar na ilha. Tudo era apresentado sob o contexto do espetáculo. Por exemplo, se algum corista avistava um pato, o artista rebatia:

– É um pato sborniano!

Com o seu bandolim, Hique puxava canções com o coral, como Somente o Necessário – trilha da animação Mogli, O Menino Lobo (1967). Quando o catamarã se aproximava da Ilha do Presídio, Kraunus, empolgado, cantou o Hino da Sbórnia com o Coro Jovem.

Ao desembarcar, a tripulação encontrou uma ilha inabitada, rodeada de lixo e com as ruínas de uma edificação do século 19 – que já funcionou como depósito de munições e foi prisão na época da ditadura militar. Kraunus incorporou um guia turístico:

– Este é o antigo refeitório do presídio da Sbórnia. O que nós gostaríamos que fosse: o Teatro Hiperbólico da Sbórnia.

Nas ruínas, Kraunus, Nabiha, Kanflutz e o coral tocaram canções como O Primeiro Disco. Porém, nenhum vestígio do Maestro Pletskaya ou de outros sbornianos. A procura continua.

OUTRAS CASAS PARA A SBÓRNIA

Uma das motivações para Hique promover a expedição foi chamar a atenção para o potencial da Ilha do Presídio. Para ele, o local poderia ser um centro cultural – com teatro e galeria de exposição e memorial. O músico sonha em apresentar lá o Sbørnia Kontr’Atracka.

– Se tivesse atividade aqui, certamente atrairia público nos finais de semana. A prisão federal de Alcatraz, na Califórnia, por exemplo, é um ponto turístico – diz.

Após mais de 30 anos de Tangos e Tragédias no Theatro São Pedro, o espetáculo foi levado para o Teatro do Bourbon Country em outubro passado. Segundo Hique, a mudança foi devido a uma reforma prevista no TSP, que acabou sendo postergada. O artista optou por manter a montagem na nova casa.

– É legal experimentar espaços e circular pela cidade. Também estamos abrindo o São Pedro para outros trabalhos. De qualquer maneira, somos artistas do Theatro São Pedro– garante Hique.

Destaque
Recentes
Arquivo
Tags

​​​​© 2018 por Doxxa | Conteúdo e Relacionamento

CONTATO:

 

SIGA:

  • Facebook - Black Circle
  • Instagram - Black Circle